Vida noturna sem controle gera caos e insegurança para moradores de Águas Claras
Um problema antigo em Águas Claras segue sem solução definitiva. Entre a Avenida Pau Brasil e a Rua 22 Sul, a tranquilidade da madrugada dá lugar à gritaria, à algazarra e à confusão logo após o fechamento dos bares na área comercial do Le Quartier, principalmente às sextas-feiras, sábados e feriados.
Embora os estabelecimentos, na maioria das vezes, funcionem dentro do horário permitido, na prática, os transtornos começam justamente após o fechamento dos bares. Nesse momento, frequentadores permanecem nas ruas consumindo bebidas, com som alto e comportamentos inadequados. Como consequência, moradores da região perdem o sossego e o direito ao descanso.
Cenário recorrente de desordem
Moradores registram a presença constante de ambulantes irregulares vendendo bebidas alcoólicas sem procedência, inclusive para jovens e adolescentes, na área verde entre a Rua 22 Sul e a estação do metrô Águas Claras. Além disso, após as madrugadas de maior movimento, o local amanhece tomado por lixo espalhado pela calçada e pela área verde.
Outro problema recorrente é o uso do entorno dos prédios como banheiro público. Com frequência, pessoas urinam entre carros estacionados, árvores, contêineres de lixo e calçadas. Paralelamente, moradores relatam consumo de drogas, brigas, ameaças e sensação constante de insegurança.
Desgaste constante
Diante desse cenário, o síndico de um dos condomínios da região, Francisco Ferreira, afirma que a situação se arrasta há anos e, em vez de melhorar, se agrava com o tempo.
“A gente vem passando por esses problemas aqui já há mais de 4 anos. Uns dois anos atrás a gente teve algumas operações aqui dos órgãos de fiscalização, mas a gente sofre com isso já de 3 a 4 anos e só está se agravando com o passar do tempo.”
Segundo ele, os dias mais críticos são os fins de semana e feriados.
“Sexta e sábado são os piores dias. E feriado agora, com a iminência do Carnaval, o movimento tende a ser muito maior.”
Impacto direto na rotina
Enquanto isso, a moradora Lucimar Souza relata o impacto direto na rotina de quem vive nos prédios da região.
“Nós não dormimos mais. É muito barulho e muita algazarra. Eles estão trazendo caixa de som, e ficando aqui na frente (do condomínio residencial). Estão sentando aqui na nossa escada e bebendo aqui e fazendo xixi ao redor do prédio.”
Além do barulho, ela relata episódios de tensão.
“Na sexta-feira (6) nós quase fomos agredidos aqui porque pedimos para eles saírem da escada (do condomínio).”
Barulho e insegurança
Para os moradores, o barulho excessivo e a falta de segurança caminham juntos. Segundo Francisco Ferreira, a situação vai além da perturbação sonora.
“O barulho é algo que atormenta todo mundo. Eles trazem caixa de som, ficam circulando em torno do prédio. Consequentemente, a questão da segurança nos preocupa bastante.”
Ainda de acordo com ele, acionar a Polícia Militar nem sempre resolve. Na mesma linha, a moradora Jandira Rocha reforça.
“A grande maioria não atende. Raríssimas vezes.”
Além disso, o problema atinge diretamente famílias com crianças pequenas, idosos e gestantes. A moradora Raphaela destaca que o problema não é o lazer, mas a falta de respeito.
“Eu sou jovem e já fui adolescente. O meu problema não é com as pessoas que frequentam. Pelo contrário, é a falta do respeito. Eu moro de frente e tenho uma filha de dois anos, estou gestante e fico com medo até de montar o quarto da criança. Porque é uma barulhada, é uma gritaria, e a gente precisa fechar as janelas, porque, se não, você não consegue descansar. Isso 1h, 2h da manhã, eles estão cantando, dançando, gritando, vai dentro da minha casa.”
Ameaças e medidas extremas
Com o agravamento da situação, moradores relatam ameaças e medidas improvisadas para tentar conter a baderna. Nesse contexto, o síndico David afirma que o problema já ultrapassou todos os limites.
“O maior problema agora é a quantidade de adolescentes. Uma menina menor de idade em estado de coma alcoólico. A polícia, você pode ligar 50 vezes. Nem tchum.”
Por outro lado, Francisco Ferreira relata que alguns moradores passaram a agir por conta própria.
“Esse último fim de semana eu tive que jogar água nos degraus do prédio e fechar com correntes para impedir que eles viessem pra cá no sábado.”
Posição do Poder Público
Sobre a fiscalização, a secretaria DF Legal informou que, de acordo com as últimas ações no local, os bares e distribuidoras de bebidas operam dentro dos horários previstos em alvará. No entanto, as notificações mais recentes envolvem ocupação irregular de área pública e ações para coibir o comércio ambulante irregular.
Já a Administração Regional de Águas Claras esclareceu que os bares podem funcionar até 23h de domingo a quinta-feira e até 2h às sextas e sábados. Além disso, distribuidoras de bebidas têm funcionamento permitido das 6h à meia-noite. Segundo o órgão, uma nova força-tarefa está em planejamento para combater excessos na região.
Direito ao lazer x Direito ao sossego
Por fim, moradores reforçam que o problema não é o lazer nem a vida noturna, mas a falta de limites, fiscalização contínua e respeito com quem mora na região.
“A gente quer sossego. Nós estamos ficando presos dentro do nosso prédio”, resume Francisco Ferreira.
Enquanto isso, a população cobra ações permanentes do poder público. Segundo os moradores, operações pontuais não resolvem, porque o problema sempre volta. O pedido é por fiscalização contínua, para garantir que o direito à diversão não se sobreponha ao direito básico de descanso, segurança e dignidade de quem vive em Águas Claras.
Por: Rafaella Iack.
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