Saúde mental: especialista defende fortalecimento dos vínculos familiares
Celulares, redes sociais, rotina intensa e falta de diálogo dentro de casa. Para a psicóloga clínica Mariza Souza, a combinação desses fatores tem ampliado o sofrimento emocional entre crianças e adolescentes. A especialista alerta que muitas famílias só percebem os sinais de adoecimento mental quando a situação já está mais grave.
Com formação em Pedagogia, Psicopedagogia, Neuropsicologia, Terapia Familiar e Perícia Criminal, Mariza trabalha como terapeuta de família e atende brasileiros que vivem no exterior, principalmente nos Estados Unidos e em países da Europa. Além disso, ela está em processo para realizar um doutorado nos Estados Unidos.
Ao longo da carreira, a especialista desenvolveu projetos de prevenção em escolas do DF e, posteriormente, participou de iniciativas em parceria com a UNESCO e a Alfabetização Solidária. Ela também atuou na formação de professores junto à Universidade de Brasília (UnB).
Falta de conexão emocional
Segundo Mariza Souza, muitas famílias enfrentam dificuldades para construir uma comunicação saudável dentro de casa. Para ela, crianças e adolescentes convivem com excesso de informação, mas pouco conhecimento emocional. Além disso, a psicóloga afirma que as comparações constantes nas redes sociais aumentam o desgaste psicológico dos jovens e ampliam o distanciamento entre pais e filhos.
“Vivemos em uma sociedade marcada pelo ‘ter’ acima do ‘ser’. Muitos pais e mães estão perdidos quanto às regras e limites, e acabam deixando os filhos sozinhos em fases cruciais de desenvolvimento, sendo educados pelo sistema atual das redes sociais”, afirma.
Ao mesmo tempo, Mariza destaca que a rotina intensa das famílias reduz os momentos de convivência e enfraquece os vínculos afetivos. Segundo ela, a saúde emocional acaba ficando em segundo plano diante das demandas do dia a dia.
Diálogo dentro de casa
Diante desse cenário, a terapeuta familiar acredita que pequenas atitudes no cotidiano podem fortalecer as relações familiares e prevenir problemas emocionais mais graves. Entre os principais erros cometidos pelos pais, ela cita a falta de escuta ativa, o uso excessivo de celulares durante os momentos em família e a dificuldade de validar os sentimentos das crianças e adolescentes.
“Cinco minutos de conversa diária, olho no olho, representam um investimento valioso. Quando os pais não cultivam isso na infância, muitos adolescentes passam a viver emocionalmente isolados dentro de casa”, explica.
Além disso, Mariza reforça que os pais precisam reconhecer a individualidade dos filhos e oferecer acolhimento emocional em cada fase do desenvolvimento.
Sinais de alerta
Ao falar sobre saúde mental, a especialista alerta que mudanças de comportamento podem indicar sofrimento emocional, automutilação ou risco de suicídio entre crianças e adolescentes. Segundo ela, isolamento, irritação constante, alterações no sono e no apetite, uso frequente de roupas de manga comprida em dias quentes e falas relacionadas à morte exigem atenção imediata das famílias.
“Muitos pais deixam de perceber esses sinais por medo de “invadir a privacidade” dos filhos, mas quando se trata de segurança, esse discurso não se sustenta. É preciso observar o histórico de buscas na internet, as músicas que escutam, as falas como “prefiro morrer” ou “vou me matar”. Adolescentes não têm maturidade para lidar sozinhos com decisões que podem mudar suas vidas. Por isso, é necessário coragem e responsabilidade para investigar e acolher”, ressalta.
Além dos comportamentos mais silenciosos, a psicóloga explica que explosões emocionais e dificuldades de socialização também podem servir como sinais de alerta.
Prevenção dentro de casa
Por fim, Mariza Souza defende que o fortalecimento dos vínculos familiares ajuda a prevenir transtornos mentais e reduz o sofrimento emocional dos jovens. Para a psicóloga, ambientes hostis, violentos ou indiferentes favorecem o agravamento dos problemas emocionais. Por isso, ela considera fundamental que os pais priorizem a presença afetiva e o diálogo dentro de casa.
“O silêncio punitivo, os gritos e os excessos machucam tanto quanto a falta de atenção. O melhor jeito de escutar alguém será sempre pelo coração”, conclui.
Mariza Souza é psicóloga clínica (CRP 01/29553), pedagoga, psicopedagoga, especialista em Terapia Familiar, Neuropsicologia e Perícia Criminal.
Por: Rafaella Iack.
Acompanhe o DFÁguasClaras nas redes sociais e fique bem informado sobre tudo o que acontece na cidade.
Participe dos nossos grupos de WhatsApp: Grupos de WhatsApp
Envie reclamações ou solicitações pelo WhatsApp (61) 98354-2244
Ou pelo e-mail: escritoriodfac@gmail.com
Instagram: @dfaguasclaras
DFÁguasClaras — Na luta por uma cidade melhor.
O post Saúde mental: especialista defende fortalecimento dos vínculos familiares apareceu primeiro em DFÁguasClaras.








