Abril Azul: rastreio gratuito ajuda famílias a identificar sinais de autismo
Uma ação voltada à identificação precoce de sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) amplia o acesso de famílias do Distrito Federal a avaliações iniciais gratuitas. Nesse contexto, Iarla Violatti, mãe do pequeno Samuel, criança com Trissomia do Cromossomo 21 (T21) e autismo, viabilizou a iniciativa em parceria com o Instituto Nadja Quadros.
Além disso, em abril, mês reconhecido internacionalmente como o Abril Azul, dedicado à conscientização sobre o autismo, a ação ganha ainda mais relevância, já que busca alcançar o maior número possível de famílias por meio de um processo estruturado de rastreio e triagem do neurodesenvolvimento infantil.
Iniciativa nasce de pesquisa científica
A Dra. Nadja Quadros coordenou, em 2023, a escrita de dois guias do Ministério da Saúde sobre desenvolvimento neuropsicomotor, sinais de alerta e estimulação precoce. A partir disso, ela transformou os marcos do desenvolvimento em perguntas acessíveis às famílias.
“Eu resolvi transformar esses marcos em um inquérito, onde eu transformei em perguntas e estou disponibilizando, é um projeto de responsabilidade social do Instituto Nadja Quadros, nesse mês de abril azul”, explica.
Dessa forma, a equipe criou o programa RTI (Rastreio, Triagem e Intervenção) e passou a oferecê-lo gratuitamente durante o Abril Azul.
Dra. Nadja Quadros
(Fundadora do Instituto Nadja Quadros – INQ) e Iarla Violatti (mãe do Samuel Violatti – Síndrome de Down T21 e TEA)
Rastreio alcança crianças de 0 a 6 anos
Inicialmente, o processo começa com o rastreio, disponível para todas as crianças de 0 a 6 anos. Os responsáveis acessam um link, preenchem dados da criança e respondem perguntas simples sobre o desenvolvimento, incluindo:
habilidades motoras
comunicação e linguagem
cognição
comportamento socioemocional
Em seguida, o sistema analisa as respostas e apresenta um retorno imediato. Quando não identifica sinais de alerta, orienta os pais a manter o acompanhamento do desenvolvimento. Por outro lado, caso identifique possíveis atrasos ou comportamentos atípicos, a equipe entra em contato para dar continuidade ao processo.
Triagem aprofunda avaliação
Na sequência, a equipe realiza a triagem, também gratuita, com acolhimento, anamnese e observação clínica da criança. Os profissionais especializados em neurodesenvolvimento analisam, de forma mais detalhada, se os sinais identificados indicam atraso no desenvolvimento ou sugerem um possível transtorno.
“No final desse processo, a gente encaminha a criança para uma investigação mais aprofundada, se a gente julgar que tem um transtorno por trás disso tudo. Se a gente perceber que é só um atraso por privação de estímulo, e a gente está em um período bem sensível, saindo de uma grande pandemia, que privou as crianças de convivência. Então a gente também tem muitas crianças que têm atrasos que não condizem com o transtorno, mas que precisam de estímulo e oportunidade para que elas possam adquirir aquelas habilidades e seguir a vida”, afirma a Dra. Nadja.
Caso necessário, a família segue para a terceira etapa, que é a investigação completa e o diagnóstico, que não são gratuitos. No entanto, a família pode escolher onde realizar esse processo. Após a triagem, os responsáveis também recebem um relatório com a avaliação da criança.
Diagnóstico precoce melhora resultados
Nesse sentido, a Dra. Nadja destaca que o diagnóstico precoce permite aproveitar uma fase decisiva do desenvolvimento infantil.
“O diagnóstico precoce aproveita a janela de oportunidade que a criança tem, independente se tem síndrome de Down ou não. O cérebro está em construção, então, se a gente oferece estímulo e oportunidade, naquele momento, eu consigo moldar um comportamento adaptável e consigo colocar em extinção comportamentos atípicos. Isso não quer dizer que mais adiante, numa idade mais tardia, isso não aconteça, mas existe a oportunidade da gente conseguir um sucesso maior com o resultado das habilidades que a gente está estimulando. Por isso é tão importante o diagnóstico precoce. ”, explica.
Ou seja, esse período, conhecido como os primeiros mil dias, concentra grande parte do desenvolvimento cerebral.
Desafios até o diagnóstico
Por sua vez, Iarla Violatti acompanhou de perto as mudanças no desenvolvimento do filho Samuel e enfrentou desafios emocionais até chegar ao diagnóstico.
“Existe a parte da negação. Eu não queria aceitar que meu filho tinha um autismo, além do diagnóstico da Síndrome de Down”, relata.
Ela identificou a perda de habilidades já adquiridas como um dos principais sinais de alerta.
“Ele balbuciava bem mais, ele já pronunciava algumas palavras, e foi perdendo isso.”
Apesar disso, ela afirma que o diagnóstico trouxe mais clareza e direcionamento.
“Quando você vê que seu filho começou a ter acesso a terapias, e você entende melhor o seu filho, tudo muda para melhor.”
Sinais de alerta exigem atenção
Diante disso, a equipe orienta que pais e responsáveis fiquem atentos a sinais como:
ausência de contato visual
atraso ou ausência de fala
não responder ao próprio nome
dificuldade para andar no tempo esperado
seletividade alimentar
perda de habilidades já adquiridas
“Identificar esses sinais de alerta é extremamente importantes para a gente intervir, porque quanto maior o atraso, mais difícil a gente consegue recuperar, vai ter mais função a ter que ser trabalhada. E a criança não para de se desenvolver, ela vai crescendo cronologicamente. Então, a conta vai ficando grande, pra correr atrás daquelas habilidades que não foram conquistadas”, reforça a especialista.
Falta de acesso ainda é desafio
Ao mesmo tempo, a Dra. Nadja chama atenção para a dificuldade de acesso a avaliações especializadas, principalmente na rede pública.
“A fila de espera no SUS tem 17 mil crianças esperando. E o triste é que, às vezes, quando ela chega pra gente, ela já perdeu aquela janela de oportunidade”, afirma.
Por isso, iniciativas gratuitas como o rastreio ajudam a acelerar a identificação inicial e orientar famílias.
Informação e acolhimento
Por fim, além de identificar sinais precoces, a ação busca orientar e acolher famílias que ainda enfrentam dúvidas ou receios.
“Evite entrar na negação. Quanto mais cedo você encara essa possível realidade e oferece estímulo e oportunidade, você consegue deixar seu filho mais funcional possível”, orienta a Dra. Nadja.
Iarla reforça a importância de enfrentar o processo.
“Se permita sentir, mas depois vá atrás. O diagnóstico não é destino. Acredita no seu filho e foca nas potencialidades.”
Serviço
O rastreio, assim como a triagem, é gratuito e pode ser feito online.
Contato do Instituto Nadja Quadros: (61) 99802-2108
Link para o rastreio: www.inqsaude.com.br/teste-neurodesenvolvimento-infantil/
Assim, a iniciativa pretende alcançar o maior número possível de crianças e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, promovendo mais desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.
Por: Rafaella Iack.
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